
Eu te amo e eu te odeio. Te quero perto de mim mais ao mesmo tempo sinto repulsos de você. Tento acreditar que tudo isso foi um pesadelo e que daqui a pouco o sol na minha janela, irá me acordar desta noite ruim. Você foi ao mesmo tempo a princesa encantada e a bruxa malvada, me envenenou. Sinto gosto amargo das suas atitudes em minha boca, o fel da sua atitude egoísta de pensar só em você, de achar que poderia ser seu brinquedo. Te mostrei o melhor de mim, mas você preferiu alguém materialmente conveniente, para mim é melhor assim, acredite. Prefiro ser assim, materialmente inviável mais sentimentalmente interessante, tenho coisas que muitos anos de vida não ensinam, mas sim boas doses de um bom caratér que infelizmente nem todos nascem com isso.
Sinto muito ter que jogar isso fora, mas o meu desapontamento me dar força para jogar bem longe. Sinto algo doendo nas minhas costas, algo me diz que foi você, me apunhalou, ao mesmo tempo que você me trouxe alegria, me trouxe amargura, pesar. Mas, sorte sua, meu coração tem um paladar refinado, não aceita qualquer porcaria, daqui a pouco vomito toda essa amargura e faço questão de vomitar em você.
Ao mesmo tempo que desejo odiar de todas as minhas forças, quero amar você, mas infelizmente essa segunda opção está descartada. Sinto que toda essa minha revolta é errada e inútil, mas precisava colocá-la em algum lugar. Porém, tudo o que eu tenho a te dizer é que eu sinto muito pela sua escolha, infelizmente as pessoas tolas tendem a tomar decisões tolas.
"Ódio são! ódio bom! sê meu escudo / Contra os vilões do Amor, que infamam tudo, / Das sete torres dos mortais Pecados!” (Cruz e Sousa, Últimos Sonetos, p. 138.)




Hoje só o silêncio me inspira, só a brisa do mar me acalma, só a mente vazia sem lembranças me consola. Hoje prefiro fechar os olhos e não ver, prefiro calar a boca e não gemer, quero apenas silenciar, me omitir. 

